ECONOMIA E ESTRUTURA OCUPACIONAL DO ESPÍRITO SANTO (2012–2024): DEPENDÊNCIA EXTERNA E PRECARIEDADE LABORAL
Nome: OTAVIO LUIS BARBOSA
Data de publicação: 08/12/2025
Banca:
| Nome |
Papel |
|---|---|
| ANA PAULA FREGNANI COLOMBI | Presidente |
| FERNANDO CÉZAR DE MACEDO MOTA | Examinador Externo |
| JOSÉ DARI KREIN | Examinador Externo |
| ROGERIO NAQUES FALEIROS | Examinador Interno |
Resumo: Esta dissertação analisa a relação entre a dinâmica econômica e a estrutura ocupacional do Espírito Santo entre 2012 e 2024, discutindo como a inserção subordinada do Brasil na economia mundial e, em seu interior, a posição do Espírito Santo condicionam a precarização o trabalho. A análise busca responder à seguinte questão de pesquisa: que estrutura ocupacional a economia capixaba, orientada pela dinâmica externa, foi capaz de produzir entre os anos 2012 e 2024? Parte-se de uma abordagem histórico-estrutural, que articula as transformações do capitalismo contemporâneo, a financeirização e o neoliberalismo com o padrão de desenvolvimento dependente brasileiro e com a trajetória específica da economia
capixaba ao longo do século XX e XXI. Como estratégia metodológica, trata-se de uma pesquisa empírica, de caráter quantitativo e descritivo-analítico, baseada na construção de indicadores sociais a partir de microdados da PNAD Contínua e da Relação Anual de Informações Sociais, operacionalizados com o uso das linguagens de programação R e SQL. Os resultados mostram que a estrutura ocupacional capixaba é organizada em torno da centralidade do trabalho informal, o qual passa a ditar a dinâmica de inserção e reinserção no mercado de trabalho ao longo do período analisado. No segmento formal, observa-se o avanço
da agenda de flexibilização das relações de trabalho com o crescimento de contratos por prazo determinado, trabalho parcial e intermitente. Ademais, é apontada a persistência da clivagem de rendimentos entre trabalhadores formais e informais e o estreitamento das vantagens associadas à maior escolaridade. Ao mesmo tempo, a economia do Espírito Santo mantém
elevada dependência de atividades voltadas ao mercado externo, reproduzindo uma trajetória pró-cíclica aos movimentos do capital internacional e marcada por forte volatilidade macroeconômica, com impactos diretos sobre o nível e a composição do emprego. Conclui-se que a estrutura ocupacional produzida pela economia capixaba no período reforçou e aprofundou debilidades históricas do mercado de trabalho, especialmente a informalidade e os baixos salários, evidenciando que a precarização não é um efeito conjuntural de crises específicas, mas dimensão constitutiva do padrão de desenvolvimento dependente brasileiro que conforma a inserção do Espírito Santo no capitalismo contemporâneo.
