DA TERRA AOS CÉUS: UM ESTUDO SOBRE A VERTICALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO IMOBILIÁRIA EM VITÓRIA E VILA VELHA (ES)
Nome: DANIEL GUZZO MORATTI
Data de publicação: 30/04/2025
Resumo: A presente dissertação investiga a elevação dos preços a partir do processo histórico que conduz à verticalização da produção imobiliária, intensificando o uso do solo urbano e transformando a terra em mercadoria. Esse movimento se apresenta como uma forma específica da produção social da moradia, tendo como pano de fundo o espaço urbano das cidades de Vitória e Vila
Velha, e evidencia aspectos característicos da dinâmica de reprodução do capital no setor imobiliário. A análise articula uma abordagem teórico-histórica – com ênfase na teoria marxiana da renda da terra – a uma investigação empírica que considera as transformações recentes das legislações urbanísticas, bem como dados do mercado imobiliário de Vitória e Vila Velha entre 2019 e 2024, destacando os movimentos de valorização ocorridos durante a crise provocada pela pandemia. A hipótese central sustenta que os agentes envolvidos na produção imobiliária, ao buscarem constantemente maiores apropriações da renda, reforçam a verticalização das moradias e a intensificação do uso do solo urbano, promovendo, como consequência, a elevação dos preços de locação e venda. Em Vitória e Vila Velha, esse processo se expressa tanto no avanço da verticalização de novos empreendimentos quanto na flexibilização das normas de ocupação de áreas de preservação ambiental e, em alguns casos,
na substituição de edificações existentes por prédios de maior rentabilidade, além de outras estratégias de ressignificação do espaço urbano. A busca pela renda e a consequente valorização dos imóveis estão diretamente relacionadas à dinâmica do espaço urbano dessas cidades, alcançando inclusive regiões cujo preço dos imóveis e terrenos são menores. Com base na teoria
marxiana da renda da terra, compreende-se que a produção da mercadoria imobiliária se diferencia dos demais setores capitalistas, uma vez que incorpora o solo urbano ao processo produtivo, a partir de uma lógica específica de precificação, marcada por uma dupla valorização: de um lado, a exploração; de outro, a capitalização da renda extraída do uso do solo urbano. Ao mesmo tempo, tais agentes pressionam por alterações nas legislações urbanísticas – que limitam e regulam a ocupação do solo urbano –, de modo a legitimar intervenções sobre o espaço urbano para garantir os interesses do mercado imobiliário. Frequentemente tais interesses se sobrepõem aos objetivos sociais das legislações, favorecendo práticas rentistas, ampliando desigualdades sociais e urbanas e concentrando renda.
