O BANCO MUNDIAL E AS MIGRAÇÕES INTERNACIONAIS: CAPITAL, INFLUÊNCIA E INTERESSES NA ARENA GLOBAL
Nome: CAMILA BIANCHI SILVA
Data de publicação: 24/10/2025
Resumo: A globalização trouxe o discurso de um mundo sem fronteiras, mas a fluidez suposta não ocorre de forma igual para todos. Percebe-se liberdade de trânsito para capitais, bens e elites ligadas ao capital; para a classe trabalhadora, principalmente aquela proveniente das periferias do capitalismo, a história é outra e repleta de barreiras. Essa, representa uma força de trabalho
que é fundamental na dinâmica capitalista, assim como a sua circulação. Assim, a fim de garantir sua movimentação, ainda sob os auspícios do capital, uma aparato socioeconômico, político e ideológico é mobilizado. Nesse cenário, o Banco Mundial, instituição parte da estrutura capitalista, desempenha papel importante (e eficiente para o capital) na garantia do modo como o capitalismo organiza e gere a força de trabalho. Assim, a presente dissertação tem por objetivo analisar como as orientações do Banco Mundial, entre 2010 e 2024, circundam o fenômeno migratório visando suas formas de inspirar políticas migratórias.
Entendemos que as atividades do Banco concorrem para a manutenção da dependência da classe trabalhadora e fortalecimento do capital. Para tanto, realizamos pesquisa documental. Os documentos selecionados para análise foram quatro relatórios e 15 policies briefs do Banco Mundial, nos quais procuramos captar a ótica do Banco Mundial sobre as migrações e sobre as pessoas que migram. Buscamos entender o que a instituição acrescenta à engenharia capitalista, favorecendo sua perpetuação, no que diz respeito às migrações internacionais. Para análise do material selecionado, consideramos os seguintes eixos: desenvolvimento, remessas, trabalho, perspectiva sobre os migrantes, motivações das migrações, Estado, políticas migratórias e integração. Nossa observação nos permitiu perceber que o Banco Mundial trata as migrações em termos de ‘vantagens e desvantagens’, sob uma perspectiva econômica relacionada à renda (no lado dos migrantes) e a ampliação de lucros (no lado das
empresas). Para as nações do centro do capitalismo, vê-se que torna possível a manutenção da hierarquia que as mantém no domínio das relações capitalistas. Em linhas gerais, as orientações do Banco Mundial sobre os processos migratórios contribuem para a acomodação desse fenômeno dentro da estrutura e das necessidades do capital.
