EGRESSAS TRABALHADORAS DO SISTEMA PRISIONAL DO ESPÍRITO SANTO: DA PRODUÇÃO DA VIDA À PRODUÇÃO DE ESCASSEZ, DESUMANIZAÇÃO E MORTE
Nome: MARIANA CHRYSTÊLLO MARTINS MINCHIO
Data de publicação: 18/12/2025
Banca:
| Nome |
Papel |
|---|---|
| ARELYS ESQUENAZI BORREGO | Examinador Interno |
| CAMILLA MARCONDES MASSARO | Examinador Externo |
| CARLA BENITEZ MARTINS | Examinador Externo |
| JEANE ANDREIA FERRAZ SILVA | Examinador Interno |
| LIVIA DE CASSIA GODOI MORAES | Presidente |
Resumo: A presente tese analisa a reprodução da vida e, mais especificamente, da força de trabalho de mulheres egressas do sistema prisional do Espírito Santo que trabalharam durante o cumprimento da pena. Fundamentado na Teoria da Reprodução Social, o
estudo parte da compreensão de que o cárcere feminino não é um espaço marginal, mas um dispositivo central da reprodução da desigualdade, escassez e desumanização no capitalismo dependente. A pesquisa, de natureza qualitativa, baseou-se em entrevistas com dez mulheres egressas que trabalharam na linha de produção fabril instalada no Centro Prisional Feminino de Cariacica/ES. As análises demonstram que, após a liberdade, essas mulheres seguem inseridas em dinâmicas de escassez, sob a responsabilidade individualizada de gerir suas próprias condições de sobrevivência. Em suma, a transição do cárcere à liberdade expressa um movimento social unitário: o deslocamento da produção da vida para a produção da escassez, da desumanização e da morte. Nessa trajetória, família, trabalho, saúde e acesso às políticas públicas não figuram como esferas autônomas, mas como dimensões interligadas do processo de reprodução da força de trabalho feminina e racializada sob o capitalismo dependente. Conclui-se que o Estado, ao mesmo tempo em que penaliza, omite-se na garantia de condições materiais de existência, delegando às egressas a gestão solitária de suas vidas. Assim, o acesso desigual às políticas públicas não é apenas consequência das desigualdades, mas um mecanismo pelo qual o capital mantém e renova a desvalorização da vida.
